Madalena Ribeiro Salles nasceu em 27 de março de 1957, no Rio de Janeiro- a 6ª de 7 filhos. O pai, Heráclio Salles, era jornalista e mãe, Josyra Sampaio, professora. Assim como todos os irmãos, aos 7 anos de idade começou a estudar teoria musical e piano.
Aos 10 anos foi, com a família, para Brasília, onde continuou os estudos de música.
Aos 14 começou a estudar flauta transversal com o professor Nivaldo Silva, na Escola Média de Música.Aos 15 anos passou a integrar a Orquestra de Câmara da Escola Média de Música de Brasília e começou, também, a fazer música de câmara, sua grande paixão. A partir daí, passou a ser freqüente sua participação nos "Concertos para a Juventude", organizados e apresentados pelo Maestro Levino de Alcântara, no Sala Martins Pena, do Teatro Villa-Lobos, tanto em conjuntos de música de câmara como em orquestra.
Aos 17 anos começou a cursar Biologia na Universidade Brasília.Ainda aos 17 anos, num concerto de música de câmara, Oswaldo Montenegro, a convidou a participar das gravações de uma série de programas sobre compositores da MPB que ele fazia, na época, na extinta TV Tupi de Brasília, sob a direção do Dr. Paulo Tavares.Na mesma época, Oswaldo a convidou para tocar no show de inauguração da Casa Noturna Preto 22, no Rio, de propriedade de Flávio Cavalcanti, que o havia convidado. No Rio participaram deste show ao lado de Alcione, Maria Creuza e Chico Anízio, dirigidos por Dori Caymmi.
Voltando para Brasília, Oswaldo a convidou para a montagem de seu primeiro musical, "João sem Nome", dirigido por Dimer Monteiro. Nesta montagem entraram pela primeira vez em contato com Hugo Rodas, coreógrafo que viria a ser a pessoa em cujo estilo artístico Oswaldo basearia suas primeiras montagens e direções. "João sem Nome" estreou com enorme sucesso e Madalena foi, mais uma vez, convidada por Oswaldo para participar do show "Ponta de Areia", também em Brasília.
A essa altura, sem estímulo para o curso de Biologia, pediu transferência deste para o de Música, ainda na Universidade de Brasília, onde passou a estudar flauta com Odette Ernest Dias.
Os convites de Oswaldo para shows e espetáculos musicais em Brasília e no Rio seguindo-se, um após o outro.
Em 1977 Oswaldo foi convidado por Hermínio Bello de Carvalho para participar do Projeto Seis e Meia, no Teatro João Caetano, Rio de Janeiro. Madalena foi com ele.
As viagens estavam tão freqüentes que em 1977, aos 20 anos, Madalena se mudou, com Oswaldo, para o Rio, onde continuaram a fazer shows e musicais.
Ainda em 1977 participaram do Projeto Vitrine, da FUNART, no qual Oswaldo foi apresentado como artista inédito por Sá e Guarabira.
Em outubro de 1978 Madalena viajou para a Alemanha, onde permaneceu por um ano. Lá, na cidade de Freiburg, fez curso de alemão e teve aulas de flauta.
Em junho de 79 fez a prova para o Conservatório de Música de Hanover. Foi aprovada mas, em julho do mesmo ano, ao invés de iniciar o curso, decidiu voltar para o Brasil.
Chegando ao Brasil, retomou os estudos de música na Escola Nacional de Música, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, estudando flauta com o Professor Celso Wotzenlogel. Recomeçou então a tocar em orquestras e a fazer música de câmara. Ficou mais ou menos um ano sem tocar com Oswaldo.
Após o Festival da Tupi, quando foi classificado em 3º lugar com a música Bandolins, Oswaldo a convidou para tocar no Festival MPB 80, da TV Globo, no qual ele participou com a música "Agonia", classificando-se em 1º lugar. Madalena começou, então, a participar das gravações dos discos de Oswaldo, e dos shows apenas, quando estes eram no Rio. Sua prioridade, nesse período, era a Faculdade.
No início de 1981 Oswaldo decidiu voltar a montar musicais. Convidou Madalena para, em Brasília, montarem o musical "Veja Você, Brasília", um espetáculo com 60 artistas da própria cidade. Madalena aceitou e seguiu para Brasília, onde fez com Oswaldo seu primeiro trabalho de assistente de direção. O musical foi um sucesso estrondoso na cidade e os dois, acompanhados de José Alexandre, Mongol, Deto Montenegro, Eduardo Costa, Raimundo Lima e Claudia Gama, foram para Belo Horizonte, onde realizaram o mesmo projeto - montagem de musical com artistas da cidade.
Em BH o espetáculo foi "Cristal", que estreou em setembro de 81. Nessa altura, Madalena percebera sua paixão por montagem de musicais. Decidida a seguir essa carreira teatro-musical com Oswaldo, desistiu da Faculdade para se dedicar às montagens e shows. A partir daí seguiram-se diversos espetáculos musicais como "A Dança dos Signos", "Léo e Bia", "A Aldeia dos Ventos", "Os Menestréis". Em fevereiro de 1987, durante a temporada de "Os Menestréis" e de "A Dança dos Signos", no Teatro da Galeria, no Rio, Madalena teve seu primeiro filho, Pedro. As montagens e excursões continuaram acompanhadas do pequenino Pedro, um baby bag , um berço de camping e uma babá, por todas as cidades.
Em novembro de 1999, nasceu seu segundo filho, Rodrigo.
O ano de 2000 foi de poucos shows para ela. Apresentou-se apenas nas capitais, dedicando-se desta vez mais ao filho que às excursões. Em julho desse ano foi com a família toda para Florianópolis, onde montaram "Lendas da Ilha".
Morando no Rio, Madalena continua hoje o mesmo processo. Shows. Excursões. Montagens. Gravações de vídeos. Trilhas. TV... Sonhos realizados sempre ao lado do irmão-amigo Oswaldo. Sempre com a flauta a tiracolo para onde for o próximo "trem", sem nunca saber para onde ele irá dali a 2 meses.



"Q
uando eu conheci a Madá, percebi que tinha encontrado a amiga definitiva. Já no primeiro ensaio eu pensei: até o final da minha vida eu vou estar tocando e convivendo com essa pessoa". A Madalena têm duas características fundamentais, e que estão acima do seu enorme talento. A primeira é a coragem e a segunda, é uma dignidade que resiste à falta de ética do nosso tempo. Ela tem uma ética medieval; uma carga de honestidade, uma responsabilidade em relação à verdade, que faz a gente pensar que tudo vale a pena. Esse, sem dúvida, é seu maior valor. Madá pra mim, significa a companhia desses mais de vinte anos, e uma companhia incondicional. De todos os talentos da Madalena, a risada é o maior. Madalena tem uma riso que significa uma possibilidade de gandaia-esperançosa. Madalena para mim, é a companhia definitiva".

Oswaldo Montenegro