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Oswaldo Montenegro

Ficha Técnica:
Direção Musical e Arranjos: Oswaldo Montenegro
Produção: Madalena Salles
Auxiliar de Estúdio: Lélio
Capa e Desenhos: Gordo Marques
Mixagem: Oswaldo Montenegro, Armando Telles, Denilson Campos, Cláudio Faria, Renato Luis de Oliveira
Técnicos de Som: Armando Telles, Denilson Campos, Cláudio Faria, Renato Luis de Oliveira
Gravado no Estúdio Master e Transamérica (RJ)
Os Menestréis (1986)

Os Menestréis (Oswaldo Montenegro)

Desde que eu me juntei aos tais menestréis
Todos falam: "Ele é mesmo assim,
Metido, maluco, ele é pretensioso"
Ai, as rádios não gostam de mim
Eu sei que tenho um coração bem largo
Eu canto afinado e adoro jasmim
Será que é porque eu tenho cara de bravo
Que as rádios não gostam de mim?
E só porque eu gosto de dança e teatro
E não canto mais o Bandolim
E eu não agüento mais as guitarras de sempre
As rádios não gostam de mim?
Aí estão os anjos e os nossos demônios
Mostrados com luz de marfim
Taí nossa alma e os nossos neurônios
Mostrados do início ao fim
O chato que todos já fomos
E os reis, nossos donos, são mortos no fim
O trânsito, o bar, as Marias
E a boca do dia é a do Rin Tin Tin
A feira, o cego, a lavoura
O casal que se adora e se mata no fim
O ganso selvagem, eu quero minha mãe
São demônios e anjos assim
Aí, já valeu, vamos embora
Quem sabe sua hora vira querubim?
E Sherlock Homes e os saxofones
São partes, são partes de mim
Oh gente que nos olha atenta
E que aqui nos sustenta com olhar de festim
Taí nossos anjos e nossos demônios
Mostrados do início ao fim 

O Ganso Selvagem (Oswaldo Montenegro)

O ganso selvagem na borda do dia
Costura seu vôo por cima do mar
Faz amor com o vento
E o sol, por magia
Toca suas penas querendo dançar
E dança na lua a tal profecia
Que faz de dois corpos um corpo a voar
E faz do seu vôo dança e magia
E marca no dia a pintura que riscou no ar
 

Maria, a Louca (Oswaldo Montenegro)

Maria tem fogo na mente
Seu corpo à espera que o dia não passe
Que a morte não venha, pois dorme sozinha
Encolhe seu corpo de encontro à parede
O gosto salgado de quem já chorou
Lhe rola na face e lhe causa agonia
E por ironia lhe chamam Maria
Maria que até já foi nome da mãe do Senhor
Agora é sem nome
É mãe, seu doutor, mas nem sabe de quem
Só sabe que um dia foi linda Maria
Maria de festa, de noite, de dança
De rosto rosado e vestido bonito
Maria prendada, que agora é perdida
Maria que chamam de louca
Virou brincadeira da turma da rua
Soltou gargalhada, deitou na calçada
Deu grito infinito, gemido profundo
De tão contraído seu rosto se abriu
E se encheu de ternura, pois é, quem diria?
Da louca Maria se fez a poesia
Da moça Maria se fez a mulher 

O Chato (Oswaldo Montenegro)

Ah, todo chato é bonzinho
Nunca nos faz nenhum mal
Ah, todo chato é calminho
Como se faltasse sal
Ah, todo chato te conta
Onde passou o Natal
E sempre te da um dica
De onde ir no carnaval
Ah, todo chato cutuca
Pra você prestar atenção
Chama cabeça de cuca
E arranha um violão
Diz que inventou uma música
E toca as seiscentas que fez
E quando você abre sua boca e boceja
Ele toca tudinho outra vez
Ah, todo chato é gosmento
E não há como evitar
Eu sou um chato e meu Deus não me agüento
Só me tacando no mar 

Garota Moderninha (Oswaldo Montenegro)

 Êh, que a sua tataravó Dulcina quase pirou
Êh, que o tio Pafúncio ficou louco
E a tia Célia zangou
Quando a garota moderninha
Comprou uma minissaia e usou
Êh, que o padre André ficou vermelho
E o guardou até apitou
Êh, que a madame ficou brava
E a criancinha gostou
Quando a garota moderninha
Subiu no meu carro e me namorou

Anjos e Demônios (Oswaldo Montenegro)

São sete bichos
Sete regras do jogo
Sete provas de fogo
Para a lógica de cada um
São sete mundos
Pelo mesmo planeta
A mesma bola na roleta
E apostando no número um
São sete dores e sorrisos em jogo
Apostando sete corpos em ponto comum
Observando na mesma estação
Os anjos e demônios de cada um
 

Bolero do Elite (Oswaldo Montenegro e Mongol)

Pra lá do bar daquele dia
Onde eu só fui pronto a filosofar
Ela chegou, bebeu seu gim sem pressa
Como só cabe a quem já cansou de esperar
De longe olhei cheio de ânsia
Naquela urgência de me aproximar
Dizer aquilo que mais tivesse efeito
Ouvir aquilo que era pr'eu eu falar
Mas por azar ou por sorte havia um cigarro
Eu tinha fogo e lhe ofereci
Há quanto tempo, cê tá sumida
Você que pensa, bobo, eu já morri
 

Rin Tin Tin (Oswaldo Montenegro, José Alexandre e Mongol)

Rin Tin Tin era um cachorro que transava com um cabo
Desce morro, sobe morro, Rin Tin Tin era o diabo
Tinha pose de fascista 'inda por cima era racista
Matou índio, o cão danado, o cão danado
Rin Tin Tin era famoso mas no fundo era um embuste
Quando ficou conhecido abandonou o cabo Rust
E feito a Roberta Close virou Lassie e quer ter pose
Não importa o quanto custe, o quanto custe
E onde anda esse cachorro? Ninguém sabe, ninguém viu
Dizem que entrou pelo cano, hoje é espião americano,
E tá morando no Brasil
 

Ah, Todo Rei é Babaca (Oswaldo Montenegro/José Alexandre)

Ah, todo rei é babaca
Senão nunca ia ser rei
Bom é ser povo, é ser caca
É ser capacho do rei
Viva a miséria, a pobreza
Onde não há traição
Eu sofro tanto, oh beleza
Melhor ainda é prisão
Coitada de águia bela
Coitado do avião
Vejo urubu da janela
Ele é que sabe o que é "bão"
Sim todo rei é gordinho
Viva o micróbio e o crime
Sim, todo rei é sozinho
Mais de três pobres é time
Deus me conserve vassalo
Bebendo esgoto da rua
Com a polícia no calo
Cachorro uivando pra lua
Uni-vos, pobreza do mundo
Vibrai, miseráveis, eu sei
Ratões dos porões, vagabundos
Fazei de mim o seu rei
 

A Bailarina Gorda (Oswaldo Montenegro)

Como toda bailarina
Ela sonhava com mil saltos mortais
Os dedos do destino a desenharam
Gorda demais
Cada salto ou pirueta era um desastre
Eram risadas gerais
E os olhos do menino que ela amava
Amavam magras demais
Cada bola de sorvete é tanta culpa
Era remorso demais
E o mais lindo vestido tá guardado
Gorda demais
Cada abraço um arrepio
"Ai, por um fio ele me apalpa por trás
E sente a carne mole, frouxa
A coxa gorda demais"
 

A Dama do Sucesso (Oswaldo Montenegro e Mongol)

Foi fazer teste na Globo
E ela era bem bonitinha
Dizia: "Eu nunca me afobo
A glória ainda há de ser minha"
E apareceu numa novela
Atrás do baleiro da esquina
A câmera passou por ela
Tava com sorte a menina
E fez um anúncio de Modess
Com mais de 40 pessoas
"Quem não batalha se fode-se
Ah! essas chances são boas"
E apertou a mão do Vannucci
E achou que o sucesso era agora
Mas chamou a Guta de Guti
E já era quase senhora
Mais de dez anos de luta
E um álbum com press-release
Muita pontinha fajuta
E nada de entrar pro show bizz
E num acidente da sorte
Morreu num incêndio famoso
Em close voando pra morte
"Como o sucesso é gostoso"
 

A Precoce (Oswaldo Montenegro)

 Era precoce prematura de dois meses
Com um ano andou de moto
Foi presa mais de seis vezes
Por ter publicado foto
Em que aparecia nua
Dando a bunda em plena rua
E tinha um ano e quatro meses
Aos cinco anos se tornou equilibrista
Fez yoga aos oito anos
E aos dez virou budista
E cansada dos enganos
Que esta vida lhe propunha
Desde os seis fazia unha
Aos onze foi pro analista
Aos doze anos se casou com um analista
De sistema desbundado
Que depois virou artista
De teatro rebolado
Era gay o tal marido
Ela disse "tá perdido"
Aos treze foi ser vigarista
Aos quinze anos viajou por todo o mundo
Aos dezoito seguiu reto
Um guru que era profundo
E aos vinte teve um neto
Aos 25, envelhecida,
Deu um fim à própria vida
Foi-se embora deste mundo
(Ainda bem!)

 

A Dama do Lugar Comum (Oswaldo Montenegro)


 


Era como anúncio de shampoo
Era vitrine como submersa luminosidade de cristal
Ela entrou no Shaika
Disse alô, pediu café
E disse "Olha, gente, eu sempre fico triste no Natal"
Era a deusa do lugar comum
E sempre repetia as frases mais batidas como coisa genial
"Um por todos e todos por um
Quem não arrisca não petisca"
E brincava de odalisca o carnaval
Só ia ao cinema aos domingos
Sua avó jogava bingo
E ela achava que hoje o mundo anda mal
Adorava o Relógio das Flores
Que rimava com amores quando poetava no colegial
Era a deusa do lugar comum
E achava que homem nenhum era perfeito como Deus
E coisa e tal
"Uma andorinha só não faz verão
Quando um não quer não, dois brigam não
E ter dois pássaros na mão é imoral"
Hoje, eleita Miss Curitiba
Ela dedica pra ti, mamãe, e pro papai
Seu dia mais legal
Mas, ora meu Deus, recusa o trono pra casar
Trocar de dono
E agradece, mas não faz comercial
 

Taxímetro (Engarrafamento) (Oswaldo Montenegro e Mongol)

Eu tava andando na rua, chovia e tava calor

Como um taxímetro o olhar registrava

E me cobrava tudo o que já passou

E você, me odeia e eu entendo e Deus

Passou lotado por nós, não, não esqueça

Que a cabeça abandonou minha voz

A gente andou pela Lua, mas nunca andou de metrô

Eu só estranhava quando te via nua

E preferia de vestido bordô

E você, me odeia e eu entendo e Deus

Passou lotado por nós, não, não esqueça

Que a cabeça abandonou minha voz